A ponte Tacoma é uma daquelas construções que ficam marcadas pela
sua fatídica destruição. Construída em 1940, no estado de
Washington, nos Estados Unidos, ela simplesmente ruiu quatro meses
após o fim de sua construção. Porém, entre a sua inauguração e o
colapso, muita coisa se pensou com respeito a ela. A ponte foi um
dos maiores feitos da engenharia da época: tinha 1600 m de
comprimento, era sustentada por oito pilastras e dois cabos de aço.
Mas este aparato de sustentação não era suficientemente bom para
receber a ressonância que vinha da ponte.
Nos primeiros dias de sua utilização, seus usuários perceberam o seu
movimento oscilatório quando alguma brisa ou vento um pouco mais
veloz passava pela ponte. Em pouco tempo, a Tacoma Narrows Bridge tornou-se uma atração turística; todos queriam
dirigir ou caminhar sobre a ponte que se movia tal como uma
montanha-russa ou rua de gelatina.
Este balanço da ponte acontecia por que sua estrutura não era
preparada contra o efeito de ressonância. Na época de sua
construção, não se conheciam com precisão os efeitos que os ventos e
o movimento natural das pontes pênsil (aquelas que são sustentadas
por cabos e colunas). Desta forma, as estruturas e os projetos de
construção eram baseados apenas na quantidade de carros ou caminhões
que poderiam passar sobre a ponte. E por conta disto, a ponte Tacoma
poderia sustentar um tráfego muito grande para a época, mas não
suportaria um vento de 25 km/h.
Mas, para entendermos um pouco mais o ocorrido com esta famosa
ponte, vamos falar sobre o fenômeno da
ressonância.
Ressonância é uma vibração enérgica que se provoca num sistema
oscilante quando atingido por uma onda mecânica de freqüência igual
a uma das suas freqüências próprias; ou ainda, é a transferência de
energia de um sistema oscilante para outro quando a freqüência do
primeiro coincide com uma das freqüências próprias do segundo. Isto
significa que, quando um corpo está em repouso ou tem uma frequência
natural de oscilação, este entrará em ressonância quando uma força
interagir com este corpo tiver a mesma frequência do corpo. Em
outras palavras, quando a amplitude aumenta a ponto de w se
aproximar a frequência natural de oscilação, ocorre a ressonância,
como é calculado na expressão a seguir:
Este fenômeno é aplicado nas famosas taças que são quebradas com os
gritos de tenores ou quando ocorre uma microfonia, aquele som agudo
e irritante que ocorre toda vez que alguém aproxima um microfone de
uma caixa de som. Um outro exemplo mais clássico: considere uma
cadeira de balanço. Ela tem uma frequência natural de ressonância,
ou seja, o seu balanço natural; mas a medida que aumentamos o seu
balanço, ela adquire mais energia, e consequentemente, balança mas
rápido. E exatamente isto acontecia com a ponte Tacoma: um vento
considerado fraco, mas constante, aumentava a sua frequência de
oscilação, de modo que aumentava o seu balanço natural.
Esquema da
atuação do vento e da oscilação da ponte Tacoma.
Os ventos que atingiam a ponte causavam uma oscilação na pista,
devido a força vertical que
era exercida sobre os cabos e pilastras de sustentação da ponte.
Assim, quando percebeu-se que algo estava errado, a ponte foi
fechada para o tráfego e algumas soluções foram tentadas, sem nenhum
sucesso (incluindo a tentativa de se reforçar os cabos de aço). E
finalmente, em 7 de novembro de 1940, a ponte Tacoma ruiu após
entrar em forte ressonância, quando foi atingida por ventos
constantes de 65 km/h. O desastre não feriu ninguém, já que a ponte
estava fechada para o tráfego, mas deixou uma marca profunda na
engenharia civil americana.
Após estudos mais
aprofundados, descobriu-se que o real motivo do colapso da ponte foi o
número de efeitos não lineares que ocorreram na ponte após sua
construção (para saber mais sobre os efeitos não lineares, você pode ler o ensaio: "O
Colapso da Ponte Tacoma", de Gilbert N. Lewis, publicado no livro:
Equações Diferenciais, vol. 1 - Ed Pearson Makron Books).
Após o acidente, a ponte foi reconstruída, com uma estrutura muito
mais reforçada. Mas ainda é uma atração turística, por causa de sua
história e de suas imagens incríveis.