
| A Física nos navios |
| Por Flávio da Costa Gonçalves |

Antes de analisarmos as causas que levam o navio a ficar
sobre a água, vamos aprender um pouco mais sobre algumas
leis e princípios físicos que lidam com o estudo de fluidos:
a hidrostática
O primeiro cientista a fazer descobertas sobre o
comportamento de corpos em líquidos foi Arquimedes (282 -
212 a.C.), famoso cientista e filósofo da Grécia Antiga.
Arquimedes iniciou seus estudos, segundo conta-se, após
entrar na banheira e perceber que o volume de água deslocado
por ele era proporcional ao peso do volume deslocado por
ele. E enunciou:
"Todo corpo imerso num fluido sofre a ação de uma força
vertical para cima, chamada empuxo, cujo módulo é igual ao
módulo do peso do volume do fluido deslocado."
Matematicamente podemos escrever:
E = dl.Vl.g
onde:
E:
módulo do empuxo
dl:
densidade do líquido
Vl:
volume de líquido deslocado
Então, quando um objeto está na água (que é um fluido) duas
forças atuam sobre ele, o peso do corpo dirigido
verticalmente para baixo e o empuxo exercido pela água,
verticalmente para cima.
A grandeza chamada de "densidade" é definida como o
quociente entre a massa e o volume de determinado corpo.
Como este resultado é sempre constante, é possível descobrir
o material com o qual determinado produto é manufaturado
apenas conhecendo sua densidade.
Agora que conhecemos os princípios, vamos as condições para
que um navio permaneça na superfície da água.
A flutuação de um corpo ou não dependerá da resultante das
forças que atuam sobre o corpo, que é dada por:
onde P é o peso do corpo e E o empuxo.
Quando um líquido é totalmente mergulhado num líquido e
abandonado, temos as seguintes situações:
Assim, se um corpo flutua parcialmente na água, temos que o
empuxo equilibra o peso e assim, a força resultante sobre o
corpo [e zero. Desta forma, o volume do líquido deslocado
pelo corpo é menor do que o volume do corpo.
Se o corpo é maciço, relacionando as densidades do líquido
deslocado e a densidade do corpo, obtemos:
d1d2=
v2v1
onde d1 é a densidade do líquido, d2 a
densidade do corpo; e V1 o volume do líquido e V2
o volume ocupado pelo corpo.
Podemos concluir então que V2 < V1 e d1
< d2.
Da mesma forma, um corpo afunda se d2 > d1
No caso de um corpo como um navio, que não é totalmente
maciço, podemos relacionar o seu peso com o empuxo da água
exercido sobre ele.
Então, um navio flutua se o módulo do empuxo exercido pela
água, for igual ao módulo do peso do navio.
Mas, por que o navio flutua?
Porque é oco e sua densidade média (considerando a parte de
aço e a parte cheia de ar) é menor que a densidade da água.
(dnavio < dágua) e porque ele
encontra-se em equilíbrio, parcialmente imerso e sujeito a
ação de duas forças de mesmo módulo e contrárias, o peso
P e o empuxo E, exercido pela água.
Mas a estabilidade do navio não depende só disso. Depende
também do ponto de aplicação dessas forças. A força peso é
aplicada no centro de gravidade (CG), que é fixo e o empuxo
é aplicado no centro de empuxo (CE), que é variável.
![]() A figura acima mostra a localização do Centro de Gravidade (CG), do Centro de Empuxo (CE) e da força peso (p) em um navio. |
O centro de gravidade do corpo localiza-se no centro de
aplicação do seu peso. Quando a distribuição de massa de um
objeto é homogênea, o seu centro de gravidade coincide com o
seu centro de massa. Se o corpo não é homogêneo ou tem forma
irregular, seu centro de gravidade não coincide com o seu
centro de massa. É possível localizar o CG do corpo
pendurando-o livremente. O CG do corpo fica no ponto de
cruzamento das verticais que passam pelo ponto de
sustentação.
Já o centro de empuxo CE está localizado no centro de
gravidade do líquido deslocado pelo corpo.
A posição do centro de gravidade CG, então não se altera em
relação ao corpo. Já o centro de empuxo do navio CE muda de
acordo com a forma do volume do líquido deslocado, já que
está localizado no centro de gravidade do líquido deslocado.
O navio é projetado para em caso de oscilações laterais,
retornar a posição inicial. Para isso, seu centro de
gravidade CG fica abaixo do centro de empuxo CE, como mostra
a figura ao lado, de modo que temos uma situação de
equilíbrio estável. O momento das forças e é que faz com que
o navio volte à posição inicial.
O CG no caso de uma embarcação, não pode coincidir com o CE,
pois quando o CG coincide com o CE, o corpo imerso fica em
equilíbrio indiferente, ou seja, se qualquer perturbação
fizer o corpo se mover lateralmente, ele não retorna a
posição de equilíbrio.
Para obter-se maior estabilidade possível, a distribuição de
cargas no interior do navio é feita de tal modo que o centro
de gravidade se situa o mais próximo possível do fundo do
navio.

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