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| Por que os bumerangues voltam? |
| Por Flávio da Costa Gonçalves |
Não se tem muita certeza da data nem do
local exato, mas a invenção do bumerangue é creditada aos
aborígenes australianos. Foram eles que utilizaram o primeiro
tipo de bumerangue, que mais parecia com um pedaço de madeira do
que com os bumerangues que estamos acostumados a ver. Esses
bumerangues antigos voavam a até distâncias razoáveis em forma
de arco, mas não retornavam as mãos de seus lançadores. Foi
aqui, em algum momento que algum aborígene começou a redesenhar
a peça, colando quilhas, aumentando o tamanho do corpo do
bumerangue, arremessando, etc. Tudo na tentativa e erro,
testando novas formas até que se chegasse ao resultado desejado.
Entretanto, acertar um objeto em voo com um bumerangue se tornou
uma missão quase impossível, ainda mais com as melhorias e as
novas formas que fizeram com que ele retornasse ao ponto de
lançamento. E o bumerangue que antes era um artefato de caça,
acabou se tornando o brinquedo que fascinam adultos e crianças.
Mas o que faz com que o bumerangue retorne as mãos de seu lançador? Responder a esta questão já não é uma tarefa tão fácil quanto construir um bumerangue. Tentaremos responder a esta pergunta de forma bastante simplificada, mostrando a Física que existe nos principais momentos de seu voo, do ponto de partida até o seu retorno. Desde já, saiba que basicamente é a sua aerodinâmica que é a responsável pelo voo surpreendente do bumerangue. Entretanto, existem outras coisas que influem no desempenho durante o voo do bumerangue. Vamos nos aprofundar um pouco mais no assunto nas linhas abaixo.
Como consequência do torque e do movimento circular, surge no movimento uma grandeza chamada momento angular L perpendicular ao plano de rotação do bumerangue. O momento angular é a grandeza física que relaciona a rotação e a translação de um corpo em torno de um eixo. Em um bumerangue, o momento angular aponta conforme o sentido de rotação varia, por exemplo, se o bumerangue gira em um sentido anti-horário, o momento angular aponta para a direita e para a esquerda.
Associando todo o movimento, forças, aerodinâmica, percebemos que o bumerangue se comporta como um giroscópio; o torque oriundo das forças de sustentação de diferentes intensidades tem direção perpendicular ao plano dessas forças e do momento angular. De acordo com a segunda lei de Newton aplicada ao movimento rotacional, o torque τ é correspondente à variação do momento angular L. Assim, a medida que o bumerangue vai realizando a curva sua quantidade de movimento angular vai variando ponto a ponto, incitando-o a retornar as mãos do lançador. Este efeito é semelhante ao efeito que você sente quando anda de bicicleta em uma curva sem usar as mãos e tem que deslocar o seu corpo em direção ao centro da curva. Simplificando tudo isso, é possível dizer que quando uma das pontas do bumerangue estiver acima, o objeto estará um pouco mais “deslocado” para o centro até que ele retorna até o ponto inicial. Tudo isso ocorre em um ambiente em que a aceleração da gravidade pode ser considerada constante (em nosso caso a aceleração da gravidade da Terra). Mas e se um bumerangue fosse atirado no espaço, ele funcionaria? Isto é, ele retornaria ao ponto de lançamento da mesma forma que acontece em nosso planeta? Um astronauta japonês respondeu a nossa pergunta: De fato, tanto o momento angular quanto o torque não dependem da gravidade, nem do peso. Por isso, ele funciona em um ambiente onde a aceleração da gravidade é anulada pela força centrípeta (o que erroneamente é chamado de gravidade zero). O bumerangue é o primeiro objeto que voa feito pelo homem. E apesar de muito simples, este brinquedo obedece alguns princípios complexos da Física. Ainda assim, é um objeto muito útil para quem quer aprender um pouco mais sobre a Física e as suas aplicações. |
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