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Viagem no tempo
 
Por Flávio da Costa Gonçalves

Imagine se um dia você pudesse pegar alguma nave, esfera, carro, cabine telefônica, digitasse uma data inesquecível para você e, de repente, você voltasse ao dia em que conheceu sua esposa ou o dia em que seu time foi campeão mundial?

Este desejo humano de voltar, de recordar fatos que já são parte de seu passado é muito antigo. A viagem no tempo, por si só, já foi estudada por alquimistas, que desejavam descobrir como o ouro era produzido em sua "nascença". Mas, muito mais do que retornar ao passado, a viagem no tempo trás diversas expectativas de consequências filosóficas, biológicas, químicas e físicas, que talvez não sejam jamais comprovadas pelo homem.

Mas quais seriam as consequências para alguém que viajasse pelo tempo? O que aconteceria com o mundo se alguém alterasse o passado ou influenciasse em algo em uma viagem ao futuro?

   
Para iniciar nossa discussão, vamos começar com o conceito de tempo. Afinal, o que é o tempo? Assim como grandezas físicas como a massa, o tempo é uma definição, não um conceito teórico comprovado experimentalmente. Definimos então, o tempo como sendo um intervalo em que ocorrem dois acontecimentos quaisquer. Por exemplo, o intervalo entre você abrir a esta página e começar a ler é um intervalo de tempo. Contudo, nossa discussão não termina aqui. Precisamente, medimos o tempo com relógios, sejam eles de pêndulo, eletrônicos, digitais. Mas, como medir o tempo no passado? Se um de nossos relógios for conosco, ele funcionará? E como funcionará? Dificilmente teremos respostas exatas a estas perguntas, mas a princípio, vamos admitir que as respostas sejam "sim". Assim, vamos um pouco mais adiante em nossa discussão.

Viajar no tempo não é algo que seja tão absurdo assim. Astronautas que viajam em seus foguetes e ônibus espaciais viajam a uma velocidade de 37 000 km/h, o que permite que eles viajem cerca de 1 bilionésimo de segundo adiante no tempo (a título de comparação, 1 milésimo de segundo é o tempo que o ser humano leva para piscar). Portanto, é óbvio perceber que, do ponto de vista humano, este tempo no futuro é insignificante. Mas a chave para esta viagem para o futuro está justamente na forma como ela, teoricamente, pode ser feita: com naves que viajam a altas velocidades. E para isto, basta que seja possível que algo ou alguém viaje mais rápido do que a luz, algo impossível aos olhos da Física atualmente. Além de tecnologia de materiais, ter-se-ia que utilizar combustível quase inesgotável para acelerar a nave (leia-se máquina do tempo) até que atinja altíssimas velocidades e, daí, pudesse pular alguns anos no futuro. Portanto, do ponto de vista prático, viajar longos períodos no futuro é uma tarefa, pelo menos por enquanto, impossível.

  Mas, e se voltássemos ao passado? Na verdade, o grande interesse da ciência que estuda este tipo de viagem está no que aconteceu. Poder estar na época dos dinossauros, ver como se formaram o planeta, descobrir de onde viemos, evitar guerras, mortes. Uma infinidade de possibilidades está na vivência do passado. E como poderíamos chegar até o que já aconteceu? E o que aconteceria e fizéssemos algo que mudasse, de alguma forma, nosso passado?

Para ilustrar um pouco melhor a ideia de viagem ao passado e suas consequências, vamos recorrer ao cinema. Conta uma história de um filme muito famoso que, um político após ser eleito presidente dos Estados Unidos, ganha o direito a viajar a qualquer ponto do passado.
Ele decide então, ir até a época em que os dinossauros viviam; mas, antes de ir, é advertido que não pode alterar nada durante sua passagem por lá. Sua "visita" ocorre "tranquilamente", mas, no momento em que ia voltar, ele pisa em uma folha e a quebra. Quando chega de volta em seu tempo, descobre que ele não é mais o presidente eleito.

É esperado pensar: "mas o simples fato de se quebrar uma folha pode mudar tanto assim o futuro?". Como no caso de uma viagem ao futuro, não se pode responder à algumas perguntas com respostas exatas. Mas, de fato, podemos esperar que se mudamos algo em nosso passado, mudamos algo em nosso futuro também. A viagem ao passado pode ser útil em casos que se quer evitar algo, como por exemplo, a posse de Adolf Hitler, mas também, pode ser utilizada por gananciosos e trapaceiros que podem utilizar seu conhecimento sobre o passado para, por exemplo, ganhar muito dinheiro com apostas e especulação financeira. E, em ambos os casos, é impossível determinar com certeza quais as consequências no futuro da humanidade que isto poderia trazer.

Porém, como estamos imaginando um cenário (e a ciência também necessita da imaginação para poder prosseguir), vamos imaginar um cenário de volta ao passado. Imaginemos que você volte até o dia em que a Apollo XI decolou e, de alguma forma sabote seu lançamento. E então, os americanos desistam de lançar a nave por algum tempo; e se nesse tempo entre a sabotagem e o novo lançamento, os soviéticos lançassem um foguete que levasse o homem até a Lua? Provavelmente, nosso futuro seria seriamente alterado. E se fosse alterado a ponto de não termos mais acesso a computadores e aos avanços científicos? Se isso acontecesse, como seria possível construir uma máquina do tempo? E se a máquina não existisse, como seria possível que ela alterasse o passado? (Não queremos, no entanto, dizer que uma eventual chegada dos russos na Lua antes dos americanos traria um "atraso tecnológico" ao mundo atual)

Na verdade, muitas respostas a estas perguntas seriam dadas se nossa concepção sobre o espaço e o tempo fosse mais abrangente e comprovadamente, tivéssemos mais do que as quatro dimensões conhecidas. Talvez, uma dimensão de espaço tempo paralela, onde seríamos os mesmos, mas com vidas completamente diferentes, como enuncia a Teoria dos n-Espaços Dimensionais; ou ainda, que nossa concepção sobre o tempo fosse diferente da atual. O tempo não pode ser contínuo para dois observadores em duas posições diferentes (por isso, dizemos que o tempo é relativo: ele depende basicamente do observador, de quem mede o tempo, visualiza o evento).

Apesar de, atualmente, a viagem no tempo ser apenas uma teoria, nada impede que, algum dia, ela se torne possível. Mas, por enquanto, levemos em conta as palavras de Stephen Hawking, doutor em Cosmologia e famoso cientista inglês: "a ausência de visitantes do futuro em nossa época é um bom argumento de que não é possível viajar no tempo."

Os aspectos filosóficos que envolvem a viagem no tempo são inúmeros. Mas procuramos mostrar os principais e, obviamente, deixar o leitor ainda mais curioso sobre o assunto. Mas, fique a vontade para entrar em contato conosco caso queira comentar algo sobre este texto.




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