
| E se a constante de Planck fosse igual a zero? |
| Por Flávio da Costa Gonçalves |
A constante de
Planck é uma das constantes fundamentais da Física e recebeu esse
nome em homenagem a Max Planck, físico alemão considerado o pai da
Física Quântica. O valor para a constante de Planck é de
m² kg/s. Observe que o valor desta constante é muito
pequeno, mas ainda assim, não é nulo. Ela foi introduzida
por Planck na tentativa de explicar a distribuição espectral da
radiação do corpo negro.
Uma das utilizações para a constante de Planck é o cálculo da
energia dos fótons (partículas altamente energéticas que são criadas
quando existe a interação entre dois elétrons, por exemplo; um fóton
não possui massa, mas possui momento), já que descreve corretamente
a teoria postulada por ele, a Teoria doa Quanta. Esta teoria diz que
a energia assume valores inteiros, quantizados e em pacotes – os
chamados “quanta”. De modo geral, poderíamos concluir que se a
constante de Planck fosse nula (igual a zero), toda a Física
Quântica simplesmente não existiria e o nosso mundo obedeceria
totalmente a mecânica clássica, criada por Isaac Newton.
Mas para entender como e porque a constante de Planck é importante a
mecânica quântica, precisamos conhecer um pouco sobre um dos
princípios básicos da Física Quântica: o Princípio da Incerteza de
Heisenberg.
Princípio da Incerteza de Heisenberg
O físico alemão Werner Heisenberg |
Sempre que se mede a posição ou a velocidade de uma partícula em
certo instante de tempo, incertezas experimentais estão incluídas
nas medidas. Por exemplo, ao medir o diâmetro de uma moeda com uma
régua, não é possível estabelecer com certeza absoluta o tamanho
para o seu diâmetro, visto que a régua é geralmente graduada até
milímetros; outro exemplo consiste na medição do tempo em que uma
partícula (um bolinha de aço, por exemplo) leva para percorrer certa
distância, uma vez que o observador leva alguns centésimos de
segundo para acionar ou travar o cronômetro e para visualizar tais
eventos. Porém, de acordo com a mecânica clássica, não há barreira
fundamental para o aperfeiçoamento mais refinado do aparelho ou dos
procedimentos experimentais. Em outras palavras, é possível, a
princípio, realizar tais medidas com uma incerteza arbitrariamente
pequena ou até mesmo nula. Porém, a teoria quântica prevê que é
fundamentalmente impossível medir simultaneamente a posição e o
momento de uma partícula com exatidão infinita. |
Werner Heisenberg (1901-1976) enunciou em 1927 um princípio que se
tornou um dos pilares da Mecânica Quântica, conhecido como o
Princípio da Incerteza de Heisenberg. Esta noção é descrita como:
“Se são feitas uma medida da posição de uma partícula com uma
incerteza e uma medida simultânea do seu momento com uma incerteza,
o produto das duas incertezas nunca pode ser menor do que ħ/2:
|
Ou seja, é fisicamente impossível medir simultaneamente a posição
exata e o momento exato de uma partícula. Essa impossibilidade surge
da estrutura quântica da matéria e não de possíveis imperfeições nos
instrumentos de medidas.
A consequência
Veja que a partir da definição do Princípio da Incerteza de
Heisenberg, podemos identificar que o lado direito da equação seria
nulo, ou seja, o produto das incertezas também seria nulo, de tal
forma que elas poderiam ser nulas a qualquer instante, isto é, uma
medição poderia ser feita com algum equipamento que reduzisse a
incerteza de determinada medida a zero.
| Desta forma, o mundo, a natureza, o universo, obedeceria a todas as leis da Física que foram postuladas pela mecânica newtoniana. E a física quântica simplesmente não existiria! |
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