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O enigma do Éter e os primeiros passos da Física Moderna
 
 
Por Flávio da Costa Gonçalves

No final do século XIX, outro enigma dominava a ciência na época: o Éter Luminífero. Como vimos anteriormente, a luz era tida como uma onda. Os físicos conheciam como as ondas mecânicas (como o som) se comportavam, mas não sabiam como a luz se comportava ao certo; as ideias de Newton ainda soavam forte na ciência, sobretudo com relação ao comportamento da luz como uma partícula. Então, uma nova descoberta sobre a luz mudou toda a concepção sobre a luz: sim, ela era uma onda! Mas, se a luz era uma onda, como ela poderia ser uma partícula? Afinal, como a luz do Sol e das estrelas chegava até nós? Uma onda mecânica, como sabemos, depende de um meio para se propagar. Daí surgiu o Éter, que era um elemento que estava presente em todo o universo, e que tinha características um tanto peculiares: era rígido, mas maleável; tinha uma constante dielétrica muito maior do que qualquer outro elemento e mais: o seu coeficiente de atrito era muito pequeno, o que permitia a Terra não diminuir sua velocidade orbital. E o Éter permeou os caminhos a ciência durante muito tempo.

Não convencidos da existência do éter, dois cientistas norte americanos, Albert Abraham Michelson e Edward Morley, criaram um experimento engenhoso para a época, com espelhos e rodas dentadas, que permitiu a medição da velocidade da luz em relação ao Éter. E, surpreendentemente, a existência do éter não foi comprovada; ao contrário, a sua existência não era necessária para a propagação da luz e nem de nenhuma outra onda eletromagnética!

Experimento Michelson-Morley

Uma imagem do experimento de Michelson-Morley utilizado para o cálculo da velocidade da luz em relação ao Éter Luminífero.


Esta surpreendente descoberta propiciou a explicação da Teoria da Relatividade criada por Einstein.

Ainda no final do século XIX, a Física Nuclear começa o seu desenvolvimento, com a descoberta do raio-x por Wilhelm Conrad Röntgen, em 1885. E continuou com a descoberta de Becquerel da radioatividade (desintegração espontânea de núcleos atômicos) e do estudo de núcleos atômicos por Pierre e Marie Curie, iniciando-se assim os estudos da Física Nuclear.

Por fim, J.J. Thomson descobre o elétron, partícula de carga negativa, e muda as concepções sobre os modelos nucleares até então admitidos.

Thomson cria o modelo atômico conhecido como "Pudim de Passas", onde os prótons e elétrons estavam em meio a um meio que "transmitia" as cargas e ligações elétricas. Este modelo foi aceito até o meio do século XX, quando surgiram os modelos atômicos mais modernos.


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