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A Idade Média e as contribuições árabes para a Física
 
 
Por Flávio da Costa Gonçalves

O estudo e as descobertas físicas praticamente pararam durante a Idade Média. A Europa, principal fonte de conhecimento científico, estava sob o domínio moral, cultural e ideológico da Igreja Católica, o que cessava qualquer possibilidade de pesquisa de novos conhecimentos, já que tal busca certamente provocaria alguma contraposição às ideias defendidas como verdades absolutas (a teoria do Geocentrismo, por exemplo) pela Igreja.

Ficou a cargo do Oriente Médio desenvolver os novos conceitos sobre a Física, a Matemática, a Astronomia, a Geometria, Trigonometria e Álgebra durante a Idade Média. Grandes descobertas e definições foram concebidas nestes anos. Importantes definições foram feitas nesta época pelos cientistas árabes, como: a definição do zero, a concepção de algarismo e a invenção do astrolábio; as bases da trigonometria, como o radiano, cálculo de tangentes e a definição de diversas ferramentas trigonométricas. Outra descoberta a cargo da ciência do Oriente Médio foi a definição da duração do ano feita por Omar Khayyam (1048-1131), que após realizar a reforma do calendário islâmico, calculou o ano terrestre tropical como tendo 365,242213 dias (o ano terrestre aceito atualmente é de 365,242241 dias). Os trabalhos da ciência islâmica chegaram até o ocidente graças às navegações europeias que buscavam especiarias e escravos e, principalmente, por causa das Cruzadas cristãs contra o Islã.

Esboço da forma geométrica do planeta Terra feito por cientistas árabes no século XII
Esboço da forma geométrica do planeta Terra feito por cientistas árabes no século XII
 
Astrolábio - Instrumento astronômico capaz de determinar simultaneamente a latitude e a hora pela observação do instante em que várias estrelas atingem determinada altura fixa acima do horizonte, antes ou depois da passagem meridiana.
Astrolábio - Instrumento astronômico capaz de determinar simultaneamente a latitude e a hora pela observação do instante em que várias estrelas atingem determinada altura fixa acima do horizonte, antes ou depois da passagem meridiana - inventado por árabes entre o século XI e XII.


Somente no século XII a ciência europeia voltou a ser trabalhada, com o físico inglês Francis Bacon. Seus experimentos em óptica apesar de similares aos trabalhos dos cientistas árabes, foram registrados de maneira pela qual conduzia seus experimentos em detalhes tão precisos que outros puderam reproduzi-los e testar seus resultados – uma pedra angular do método científico. Ele ainda descreveu a possibilidade da construção de um telescópio, mas não existe nenhuma evidência forte de que ele tenha feito um.

A partir do século XIV surgem as primeiras contestações da mecânica de Aristóteles. É nesta época que surge a teoria dos ímpetos, sugerida por Jean Budrian. Esta teoria pode ser considerada como uma “avó” do conceito que hoje temos da inércia. Enquanto isso, Nicole d'Oresme, outro importante nome deste século, mostrou que o motivo proposto na física de Aristóteles contra o movimento da Terra não era válido e mostrava a simplicidade da teoria segundo a qual a Terra se move, e não os céus. Em todos os seus argumentos em favor do movimento da Terra, Oresme é ao mesmo tempo mais claro e explícito do que Copérnico viria a ser dois séculos mais tarde. Ele também foi o primeiro a afirmar que a cor e a luz são da mesma natureza e a descoberta do desvio da luz através da refração atmosférica; embora, atualmente, o crédito desta última descoberta seja dado a Robert Hooke.

A chegada da peste negra, em 1348, põe fim a um breve período de desenvolvimento filosófico. A praga matou um terço das pessoas na Europa. A recorrência da praga e de outros desastres causou um contínuo declínio da população por um século.

A despeito desta paralisação, o século XV foi marcado pelo florescimento artístico da Renascença. A descoberta de textos antigos foi acelerada quando sábios de Bizâncio tiveram que procurar refúgio no oeste após a queda de Constantinopla em 1453.

Enquanto isto, a invenção da imprensa levou à democratização do saber e permitiu uma rápida propagação de novas ideias. Tudo isto pavimentou o caminho para a revolução científica a qual deve ser entendida como uma retomada do método científico que havia sido interrompido no século XIV.

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