Os princípios
físicos por trás de seu funcionamento estão resumidos nas
duas primeiras leis de Faraday, que tratam do
eletromagnetismo:
1ª lei de Faraday: "Nos condutores em
equilíbrio a eletricidade é distribuída apenas na superfície
externa; no seu interior não há traço de eletricidade."
2ª lei de Faraday: "No equilíbrio
elétrico a força elétrica no interior dos condutores
completamente fechados e desprovidos de corpos eletrizados é
nula."
Desta forma, a blindagem na gaiola funciona de forma
relativamente simples: as cargas que são distribuídas em sua
superfície acabam "fluindo" pela malha da gaiola e não
conseguem penetrar em seu interior, que acaba ficando
isolado eletricamente. Isto ocorre porque quando os elétrons
(cargas) fluem pela malha, ocorre uma distribuição
eletrônica das partículas elétricas; assim, há uma separação
entre as cargas positivas e negativas na superfície da
gaiola, criando um campo elétrico (região no espaço onde
existe a influência de cargas elétricas) que sobrepõe o
campo elétrico que originou estas partículas, de tal modo
que a soma dos módulos (valores) dos campos é nula em
qualquer ponto da gaiola. Como este processo é contínuo, é
muito seguro permanecer dentro dela, mesmo quando aplicamos
em sua superfície uma tensão de 10000V, 20000V ou até mesmo,
40000V!
As aplicações desta gaiola em nosso cotidiano são inúmeras.
Os bancos a utilizam para garantir a segurança dos dados de
seus clientes contra eventuais explosões eletromagnéticas
que se originam do Sol e que podem danificar aparelhos
eletromagnéticos (caixas-eletrônicos, computadores, câmeras
de vigilância, televisores, aparelhos de som, celulares); os
maiores exércitos do mundo também tem na gaiola um aparato
de segurança contra eventuais bombas eletromagnéticas (que
fariam o mesmo estrago das explosões solares), protegem
contra o roubo de tecnologia e ou contra disparos
acidentais.
Existem também aquelas gaiolas construídas acidentalmente,
como por exemplo túneis em estradas, onde as ondas de rádio
e de celular não conseguem penetrar.
Agora que já conhecemos os efeitos isolantes da gaiola de
Faraday, vamos ver como eles se comportam na prática. O
vídeo abaixo é um experimento realizado pelo professor
H.Mohseni, da Universidade de
Tehran. Ele está no interior de uma gaiola de Faraday,
quando ela é atravessada por uma tensão de 15000V.
Apesar das imagens assustadoras, o professor sai da
gaiola sem nenhum arranhão!
Outra consequência interessante do princípio de
funcionamento da gaiola de Faraday é o fato de um carro ser
um dos lugares mais seguros para se proteger de uma
tempestade com raios, devido a sua geometria - e não ao fato
dos pneus serem de borracha (se esta fosse a causa, um trem
jamais poderia andar em um dia chuvoso!). A superfície do
carro funciona como as malhas da gaiola, permitindo que haja
uma reorganização das cargas elétricas, de modo que não haja
nenhuma influência de algum campo eletromagnético em seu
interior. Assim, numa improvável queda de raio sobre um
carro, seus ocupantes apenas se assustariam com o barulho,
mas não tomariam nenhum choque elétrico. Infelizmente,
muitas pessoas não sabem deste fato e acabam morrendo em
circunstâncias que são evitáveis; por exemplo, quanto um
carro colide com um poste e seus fios caem sobre o carro,
muitos tem a reação de sair correndo, ao invés de ficar
dentro do carro, que é um lugar seguro. E um acidente deste
tipo ocorreu em São Paulo, em 1992, quando o fio de um
trólebus (ônibus movido a eletricidade) acabou caindo sobre
o veículo, disparando diversas faíscas e finalmente caindo
no chão; os passageiros, em desespero, saíram correndo, e um
a um, foram sendo eletrocutados. Resultado: três pessoas
morreram e onze tiveram queimaduras graves.