
| A batalha das correntes |
| Por Flávio da Costa Gonçalves |
| A corrente
elétrica essencialmente é o fluxo ordenado de portadores de
carga elétrica. Esse movimento surge, na maioria das vezes,
quando um campo elétrico é estabelecido na região próxima do
condutor, fazendo com que as cargas fluam no mesmo sentido.
Se o fluxo dos portadores de carga é constante e ordenado (portanto, não varia em um instante qualquer), então esse fluxo é chamado de corrente contínua ou CC. Este tipo de corrente é gerado nas pilhas e baterias que utilizamos em nosso dia a dia , na alimentação de celulares, computadores e pequenos equipamentos elétricos e é constituído por dois polos distintos: o positivo e o negativo. Em contrapartida, se o fluxo de corrente não é constante, isto é, o sentido da corrente varia com o passar do tempo, então temos o que chamamos de corrente alternada ou CA (em inglês encontramos a sigla AC – alternating current). Este tipo de corrente é usualmente empregada na transmissão da corrente elétrica das usinas até as estações transformadoras até chegar a nossas casas e apartamentos. Diferentemente da corrente contínua, a corrente alternada é constituída por fases. |
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Thomas Edison, o americano responsável pela invenção da lâmpada incandescente, também era o portador da patente do sistema de distribuição de energia elétrica conhecida como corrente contínua. Como Edison era um cientista de renome no país, logo a corrente contínua tornou-se um padrão na transmissão de corrente elétrica nos Estados Unidos. Havia algumas vantagens no uso da corrente contínua na transmissão de energia: ela era facilmente utilizada em baterias de armazenamento, promovendo valiosos níveis de carregamento e reservas energéticas durante possíveis interrupções do funcionamento dos geradores. Os geradores de corrente contínua podiam ser facilmente associados em paralelo, permitindo a economia de energia através do uso de dispositivos menores durante períodos de alto consumo elétrico, além de melhorar a confiabilidade. O sistema de Edison inviabilizava qualquer motor a corrente alternada. Edison havia inventado um medidor para permitir que a energia fosse cobrada proporcionalmente ao consumo, mas o medidor funcionava apenas com corrente contínua. Portanto, até então, tudo estava preparado para o uso de equipamentos que funcionassem com o uso de corrente contínua. |
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É aí que entra em cena o cientista sérvio
Nikola Tesla (1856-1943), um ex auxiliar de Thomas Edison que ficou
famoso por suas inúmeras contribuições para a compreensão e
aplicações do eletromagnetismo. Estudando campos magnéticos
rotacionais, Tesla acabou criando um sistema de geração, transmissão
e equipamentos que utilizam a corrente alternada. Tesla procurou
financiamento para o seu projeto e foi ajudado por George
Westinghouse, empresário e engenheiro americano, que apoiou
financeiramente o desenvolvimento de um sistema de transmissão
elétrica através de corrente alternada, em troca da patente pelo
sistema inventado por Tesla. Quando posto em pratica, o sistema inventado por Tesla se mostrou muito mais eficiente do que o sistema adotado até então. Aos poucos, a corrente alternada era adotada como padrão de transmissão nos Estados Unidos. |
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