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ATLANTIS (1985-2010)

Por Flávio da Costa Gonçalves

CAMPOS DO JORDÃO (hoje deu tempo) – Pois é, meus jovens. Os dias e noites estão mais do que corridos, mas hoje o dia merece pelo menos essa nota rápida. As 15h20 (se as condições climáticas permitirem), o ônibus espacial Atlantis parte para a sua última jornada, em uma missão que levará um minimódulo (mini-módulo?) de pesquisas russo, uma antena e baterias, além de brinquedos que depois serão doados para as crianças com câncer dos Estados Unidos.

Os dados a cerca a Atlantis são impressionantes. Nesses 25 anos de missões, a nave realizou 31 missões, passando 282 dias em orbita, e prestando inúmeros serviços a humanidade. A Atlantis também foi a primeira nave espacial americana a acoplar em uma estação espacial russa (coisa que poucos imaginavam durante a guerra fria), a finada Mir, em 1995.

A aposentadoria dos ônibus espaciais já era anunciada e aguardada pelos americanos há tempos. Após o acidente com o Columbia, em 2003 – quando a nave explodiu em sua reentrada na Terra – as pressões para a aposentadoria das naves espaciais aumentou. Além disso, custa muita grana manter esses meninos, e como o orçamento da NASA diminui a cada ano, fica difícil explicar o porquê uma agência do governo gasta tanto com ciência (sim, muitos ainda encaram o dinheiro gasto em ciência como “dinheiro perdido” e não como investimento). E junte a isso, o fato do presidente norte-americano querer passar para a iniciativa privada a responsabilidade de construir ônibus espaciais e deixar os dólares americanos para projetos como a ida do homem até Marte.

Portanto, durante muito tempo, deixaremos de assistir, ouvir, saber que uma nave americana partiu da Terra rumo a Estação Espacial Internacional ou que um ônibus espacial levou astronautas para uma missão de conserto do telescópio Hubble. Coisas que antes pareciam até banais, mas que farão falta. Era uma coisa de despertar a imaginação com naves voando, com a vida de astronauta, com a tecnologia, em querer saber se era verdade que eles flutuavam no espaço.

Ótimo descanso, Atlantis!